O pimento de estufa é das culturas mais rentáveis das hortícolas portuguesas — e das mais sensíveis. A mesma estufa que protege da chuva cria o clima perfeito para meia dúzia de pragas e doenças que, deixadas uma semana sem vigilância, comprometem a campanha.
Este guia resume o que tens de reconhecer à vista e como atuar — porque no pimento, a diferença entre susto e prejuízo são os dias que demoras a reagir.
Pragas
Mosca-branca
Sinais: nuvem de pequenos insetos brancos quando tocas na planta; melada pegajosa nas folhas e fumagina negra por cima. Vetora viroses. Combate: placas adesivas amarelas desde a plantação; Encarsia formosa como auxiliar; inseticidas sistémicos (Movento, Confidor, Mospilan SG) se a pressão disparar. IS entre 3 e 7 dias nos produtos habituais.
Aranhiço-vermelho
Sinais: ponteado amarelo na página superior das folhas; na inferior, pontos móveis e teia fina em ataques fortes. Estufa quente e seca é o paraíso dele. Combate: acaricidas específicos (Vertimec Pro, Nealta, Floramite) — inseticida genérico quase nunca resolve e ainda mata os auxiliares que o comem.
Tripes
Sinais: manchas prateadas nas folhas com pontos negros (excrementos); flores deformadas e cicatrizes prateadas nos frutos. Combate: placas azuis de monitorização; Delegate, Success 4 ou Spintor em rotação. Pior do que o dano direto: são vetores do vírus TSWV.
Afídeos (piolhos)
Sinais: colónias nos lançamentos novos, folhas enroladas, melada. Combate: Teppeki, Movento ou piretrinas naturais em pressão baixa. Vigia os pontas — é onde se instalam primeiro.
Doenças fúngicas e fisiológicas
Oídio (Leveillula taurica)
Sinais: manchas amarelas na face superior das folhas com feltro esbranquiçado na inferior — no pimento, o oídio ataca por dentro da folha, o que o torna traiçoeiro. Folhas que caem sem aviso. Combate: enxofre molhável em prevenção (atenção às temperaturas), Signum, Topas ou fungicidas anti-oídio em cura.
Podridão cinzenta (Botrytis)
Sinais: podridão mole nos frutos e feridas de poda, com o bolor cinzento característico. Combate: ventilação matinal da estufa para secar a humidade da noite; Switch, Teldor ou Scala. Não deixes frutos feridos nem senescentes na planta.
Necrose apical ("podridão do umbigo")
Sinais: mancha negra e seca na extremidade do fruto, oposta ao pedúnculo. Não é doença — é deficiência de cálcio no fruto, quase sempre causada por rega irregular. Combate: regularidade hídrica (a causa número um), correções foliares de cálcio, fertirrigação equilibrada. Nenhum fitofármaco resolve.
Viroses (TSWV, PMMoV)
Sinais: anéis concêntricos e bronzeamento (TSWV), mosaico e deformação de folhas e frutos (PMMoV). Não há cura. Combate: arranca e elimina plantas suspeitas, controla os vetores (tripes) e desinfecta ferramentas de poda. Semente certificada e plantas de viveiro credenciado são a melhor "pulverização".
A vigilância que evita o desastre
- Percorre a estufa duas vezes por semana — meia hora, olhando a página inferior das folhas e os ápices
- Placas cromotrópicas amarelas e azuis desde o primeiro dia
- Regista o que vês e o que aplicas — data, setor, produto, dose
- Respeita os intervalos de segurança antes de cada colheita
Identificação rápida no bolso
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