A Tuta absoluta — a traça do tomateiro — não perdoa distrações. Uma geração completa desenvolve-se em três a quatro semanas dentro da estufa, e cada fêmea pode pôr mais de 200 ovos. Quem só reage quando vê frutos furados já perdeu a batalha: dentro dos frutos, as larvas estão protegidas de quase tudo.
O controlo eficaz desta praga não é "pulverizar mais". É monitorizar antes, intervir cedo e nunca usar duas vezes seguidas a mesma substância ativa.
Como identificar o ataque
- Minas nas folhas: galerias transparentes e irregulares, com excrementos pretos da larva visíveis no interior
- Frutos furados: orifícios pequenos na inserção do pedúnculo ou na face exposta, com fezes à entrada — o fruto fica invendável e porta de entrada para podridões secundárias
- Ápices atacados: rebentos novos murchos ou cortados
Em estufa, suspeita em qualquer folha de tomateiro com mancha translúcida que não é míldio nem vírus.
Monitorização: a base de tudo
- Armadilhas de feromonas (tipo Delta ou Tutasom): 2 a 4 por estufa, colocadas antes do primeiro sintoma — idealmente desde a plantação.
- Conta as capturas semanalmente e regista o número. A subida de capturas antecipa o ataque em 7–10 dias.
- Inspeção visual: dez plantas ao acaso por zona, duas vezes por semana — procura minas e ovos na página inferior das folhas novas.
Regra prática usada no campo: capturas crescentes na armadilha ou minas ativas com larva viva em mais de uma planta em cada dez = hora de intervir.
As medidas que não custam quase nada
- Destrói restos culturais e infestantes solanáceas (erva-moura, júdeu) à volta das estufas — são reservatórios da praga entre campanhas
- Redes nos óculos e portas (malha anti-inseto) travam a entrada dos adultos
- Elimina folhas com minas ativas logo que as vês — é menos uma geração a nascer
- Nesidiocoris tenuis: este mirídeo auxiliar devora ovos e larvas pequenas e faz autênticos milagres em tomate de estufa — mas sem presas passa a picar os frutos. Só funciona com monitorização séria.
A parte química: rotação ou falhanço
A Tuta absoluta ganha resistências com uma facilidade assustadora. A regra é simples: nunca apliques a mesma substância ativa (ou o mesmo modo de ação) em duas aplicações consecutivas.
Arsenal habitual com registo em tomate (confirma sempre no rótulo e na app da DGAV):
| Produto | Substância ativa | IS | Modo de ação |
|---|---|---|---|
| Coragen | Clorantraniliprol | 1 dia | Diamida |
| Delegate / Success 4 | Espinetoramo | 3 dias | Espinosina |
| Proclaim | Emamectina | 3 dias | Avermectina |
| Dipel DF / Rapax | Bacillus thuringiensis | 0 dias | Biológico |
| Exirel / Minecto One | Ciantraniliprol | 1 dia | Diamida |
| Spintor | Espinosade | 3 dias | Espinosina |
Estratégia que funciona: alterna famílias (diamida → espinosina → avermectina → biológico) e usa os biológicos de Bacillus thuringiensis sempre que a pressão estiver baixa — poupam os auxiliares e não deixam resíduos.
O erro que rebenta campanhas
Pulverizar o mesmo inseticida "porque é o que resulta". Com a Tuta, o que resulta hoje deixa de resultar no fim da campanha. Rotação de modos de ação não é teoria — é sobrevivência.
Mantém o controlo registado
Cada captura de armadilha, cada mina observada e cada aplicação deviam ficar registadas com data e parcela — é assim que vês a evolução e provas boas práticas numa inspeção. No Lovagro, registas a pulverização no telemóvel à saída da estufa, escolhes o produto da lista e a app calcula automaticamente o intervalo de segurança e avisa-te até quando não podes colher. Experimenta gratuitamente e deixa a traça com menos hipóteses.
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